“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros; e se chamará o seu nome: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9.6).

Nos últimos dois anos, passei por dois eventos marcantes: o nascimento de duas filhas. Por mais especial que tenha sido para nossa família e até a igreja, para a maioria das pessoas não impactou em nada. Todos os dias, milhares de nascimentos acontecem ao redor do mundo. A Organização das Nações Unidas estima que cerca de 211 mil bebês vêm ao mundo diariamente. No Brasil, nasce um novo bebê a cada 15 segundos. São vidas que se iniciam, histórias que se escrevem, famílias que se formam. Mas entre todos os nascimentos da humanidade, houve um único que transformou o curso da história.

A palavra Natal vem do latim natalis, que significa “relativo ao nascimento” ou simplesmente “dia do nascimento”. É uma palavra que carrega em si o sentido de começo, vida e esperança. Esse nascimento, o de Jesus Cristo filho de Deus, é o motivo real de celebrarmos o Natal. Nenhum outro nascimento foi tão comentado, aguardado e celebrado como o de Jesus. Tão impactante foi a sua chegada que o tempo passou a ser contado a partir dele: antes e depois de Cristo. A vinda desse menino não apenas preencheu um calendário, mas redefiniu o significado da existência humana. Enquanto a maioria dos nascimentos passa despercebida fora do círculo familiar, o nascimento de Jesus foi anunciado por anjos, reconhecido por sábios e temido por reis. Ele nasceu em um lugar simples, mas trouxe consigo uma mensagem eterna: Deus veio habitar entre nós.

O versículo lido nos mostra que cerca de setecentos anos antes de Jesus nascer, o profeta Isaías já havia proclamado essa promessa: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel”. Essa profecia parecia impossível de se cumprir. Como poderia uma virgem conceber? Como poderia o Deus Todo-Poderoso tornar-se um bebê indefeso? Mas o Senhor, que governa a história, preparava o cumprimento perfeito de Sua palavra. O nascimento de Jesus é a prova viva de que Deus cumpre o que promete, mesmo quando a razão humana não compreende os caminhos que Ele escolhe.

Isaías também descreve esse menino com cinco títulos que revelam a plenitude de sua natureza divina e humana. Maravilhoso, porque não há nada comum em sua pessoa; tudo nele é extraordinário. Seus milagres, suas palavras e seu amor são maravilhosos. Conselheiro, porque Ele é a sabedoria de Deus encarnada. Suas palavras guiam, confortam e revelam o caminho da verdade. Deus Forte, porque, mesmo vindo como homem, nunca deixou de ser o Todo-Poderoso, vitorioso sobre o mal e sobre a morte. Pai da Eternidade, porque é o autor da vida e aquele que oferece a eternidade aos que nele creem. Príncipe da Paz, porque só Ele pode reconciliar o ser humano com Deus, trazer paz ao coração e esperança ao mundo. Esses nomes não são apenas títulos simbólicos; eles são expressões do caráter de Cristo e do que Ele veio realizar.

E assim como foi profetizado, tudo se cumpriu. Jesus nasceu de forma simples, mas de modo absolutamente milagroso. Maria, uma jovem virgem escolhida por Deus, concebeu pelo poder do Espírito Santo. Não houve luxo, nem palácio, nem berço dourado, apenas uma estrebaria, um lugar destinado aos animais. E ali, no silêncio da noite, o Criador do universo respirou o ar da criação. O céu se abriu para cantar, e anjos anunciaram a boa notícia: “Hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor!”

O milagre do Natal não está apenas na forma como Jesus nasceu, mas no motivo pelo qual Ele nasceu. Desde o princípio, Deus criou o ser humano para viver em comunhão com Ele. No Éden, Adão e Eva desfrutavam da presença divina, até que o pecado entrou no mundo. O pecado rompeu o relacionamento entre o Criador e sua criação, gerando culpa, sofrimento e morte. A partir daí, a humanidade se tornou incapaz de salvar a si mesma. Nenhum esforço humano, nenhum sacrifício animal, nenhuma boa ação seriam suficientes para restaurar o elo perdido.

Foi então que o próprio Deus decidiu descer ao nosso nível, assumir a forma humana e viver entre nós. Jesus nasceu para reconstruir a ponte quebrada pelo pecado, para abrir o caminho da reconciliação e oferecer perdão e vida eterna. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Sem pecado algum, viveu a vida perfeita que nós jamais poderíamos viver. Morreu a morte que nós merecíamos e ressuscitou para garantir a vitória sobre o mal. Por isso Ele teve que nascer: para que pudéssemos nascer de novo.

E se Jesus não tivesse nascido?  Essa é uma pergunta que deveria ecoar em nossos corações todos os Natais. Se Jesus não tivesse nascido, a esperança seria apenas um desejo, e não uma certeza. O amor seria limitado, a vida seria finita e o homem continuaria separado de Deus. Sem o nascimento de Cristo, ainda adoraríamos o que é terreno, viveríamos em trevas espirituais e jamais conheceríamos o verdadeiro sentido da graça. O Natal não é apenas uma lembrança de um nascimento antigo; é o lembrete vivo de que Deus não desistiu da humanidade. Jesus nasceu para que pudéssemos conhecer o Pai, experimentar o perdão e viver a plenitude da vida eterna. Ele veio trazer luz onde havia escuridão, paz onde havia conflito, e vida onde havia morte. O Natal é mais do que uma data. É o anúncio de que Deus entrou na história para transformá-la de dentro para fora.

O nascimento de Jesus não foi apenas um evento do passado; ele aponta para um milagre que Deus ainda realiza hoje: o novo nascimento. Assim como Cristo veio ao mundo para trazer vida, todo aquele que crê nEle é convidado a nascer de novo, não de carne, mas do Espírito. É isso que Jesus explicou a Nicodemos: “Em verdade te digo que quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3.3). Esse novo nascimento acontece quando deixamos de viver apenas para nós mesmos e passamos a viver para Deus. Nascer de novo é receber uma nova identidade, uma nova esperança e um novo propósito. Assim como em Belém um menino mudou o rumo da história, Deus deseja que em cada coração nasça uma nova vida, marcada pela fé, pela obediência e pela graça. O Natal só tem sentido verdadeiro quando o Cristo que nasceu na manjedoura também nasce dentro de nós. O menino nasceu. O Filho nos foi dado. E por causa dEle, nós podemos nascer de novo.

Pr. André Souza,

IB Emanuel, Panambi/RS.