É perfeitamente possível admirar o estilo de liderança de Jesus, estudar seus métodos, teorizar sobre seus ensinos e, ainda assim, jamais permitir que Ele nos lidere de fato. O grande divisor de águas para o cristão não é o conhecimento intelectual sobre Cristo, mas a submissão constante ao seu governo e liderança, tanto em momentos de crise quanto na tranquilidade.
Jesus precisa governar nossa vida, especialmente nos momentos de crise. Na história bíblica dos discípulos no barco em meio à tempestade avassaladora, o desespero tomou conta do grupo enquanto o Mestre parecia dormir tranquilamente. Embora tivessem presenciado curas e milagres extraordinários, foi somente quando esgotaram seus próprios recursos que recorreram a Jesus.
Muitas vezes agimos da mesma forma. Tentamos resolver tudo com nossa própria capacidade e inteligência, deixando Jesus como o “último recurso”. No entanto, a vida cristã exige que tudo, desde o menor detalhe até o caos absoluto, seja levado a Jesus em busca de direcionamento imediato.
Curiosamente, a liderança de Jesus enfrenta um desafio ainda maior quando tudo vai bem. Se, na crise, é fácil buscarmos socorro, na tranquilidade é perigosamente fácil nos esquecermos dele. A autossuficiência é a armadilha dos períodos agradáveis.
Observe sua própria rotina: talvez nas férias, com mais tempo disponível, você tenha buscado menos o Senhor do que durante o ritmo frenético de trabalho e estudos. Isso revela uma grande verdade: a crise nos obriga a depender de Deus, mas a paz testa nossa fidelidade a Ele.
Para que a liderança de Jesus deixe de ser um conceito e se torne uma realidade, precisamos dedicar-nos a três disciplinas fundamentais que nos moldam e ensinam a depender dele:
- A Palavra como bússola
A liderança de Jesus flui através da Escritura. Ela não é apenas um livro de regras, mas a voz viva do líder orientando seus liderados. No entanto, existe um abismo estatístico entre a intenção e a prática: uma pesquisa mostrou que apenas 32% dos evangélicos leem a Bíblia diariamente.
A constância na leitura bíblica não deve ser vista como um ritual legalista, mas como uma necessidade cognitiva e espiritual. A pesquisa citada mostra que 51% dos que leem a Bíblia todos os dias conseguem manter o pensamento nas verdades divinas ao longo do dia. Em contraste, entre os que leem apenas uma vez por semana, esse número despenca para 20%. Ou seja, sem o contato diário com a Palavra de Deus, deixamos de ouvir a voz de Deus e passamos a ser liderados pelas opiniões do mundo ou pelos nossos próprios impulsos. Ler a Bíblia diariamente é permitir que Jesus recalibre nossa mente para enxergar a realidade sob a ótica da eternidade. - A Oração como alinhamento da nossa vontade
Frequentemente reduzimos a oração a uma lista de pedidos, mas sua função principal é o alinhamento do nosso coração com o coração de Deus. Paulo, em suas cartas, não apenas incentiva a oração contínua, mas demonstra uma dependência absoluta dela para discernir os próximos passos de sua missão.
Ser liderado através da oração significa silenciar nossa própria voz para ouvir a voz de Deus. Como bem afirmou o filósofo Søren Kierkegaard: “A função da oração não é influenciar Deus, mas, especialmente, mudar a natureza daquele que ora.” Quando oramos, não estamos tentando convencer Deus a seguir nossos planos; estamos permitindo que o Espírito Santo transforme nossos desejos para que eles sejam alinhados com os planos dele. - A Igreja como oficina de caráter e serviço
Ninguém é liderado por Jesus de forma isolada. Ele estabeleceu a sua Igreja como o ambiente onde sua liderança é exercida e testada. Quer ser moldado por Deus? Sirva ao seu corpo. A maturidade da fé floresce na comunhão cristã, onde somos confrontados com pessoas diferentes de nós, com pecados que nos ofendem e necessidades que nos exigem sacrifício.
É no dia a dia da igreja, ao perdoar e ser perdoado, ao compartilhar motivos de oração e ao ouvir a pregação de domingo, que a liderança de Deus se torna prática. Quando convivemos com os irmãos, somos forçados a sair do nosso egoísmo. Jesus deseja que nos envolvamos com a igreja local não apenas como espectadores, mas como servos, pois é no serviço ao próximo que aprendemos a verdadeira natureza da liderança de Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir”.
A liderança de Jesus em nossa vida não é uma meta a ser alcançada, mas uma caminhada a ser mantida. Não se satisfaça em apenas admirar Jesus de longe ou estudar sua biografia como se Ele fosse um personagem do passado. Ele é o Senhor vivo que deseja caminhar ao seu lado hoje.
Pr Felipe Balaniuk – Pastor da PIB São Miguel do Oeste, 2º vice-presidente da CBPSB e Vice-presidente da OPBB-Pioneira.
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