Jesus afirma que seremos conhecidos como seus discípulos se tivermos amor uns pelos outros (cf. João 13.35). Essa afirmação vai na mesma direção do tema anual da nossa convenção – “Somos um para que o mundo creia” – e da nossa divisa: “Para que eles sejam um, assim como nós… para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.11, 21). Você e eu somos chamados por Jesus para “ser um” na igreja na qual estamos participando e servindo. Mas como podemos viver esse chamado? Vivendo o caminho da união que Filipenses 2.1-8 descreve de uma forma muito especial e profunda a partir do exemplo de Jesus.

O texto de Filipenses foi escrito originalmente para a igreja em Filipos. Ao que parece, a união da igreja estava sendo ameaçada por falsos profetas (ameaça de fora – Fp 3.1-3) e por membros que não se entendiam (ameaça de dentro – Fp 4.1-3). De certa forma, cada uma das nossas igrejas enfrenta ameaças semelhantes, de dentro e de fora. Como vamos enfrentá-las e vencê-las? Vivendo o caminho da união!

O caminho da união é vivido em Cristo Jesus. O texto começa dizendo: “Por estarem unidos com Cristo…” e continua afirmando: “…tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma e mente”. Barclay afirma que “ninguém pode caminhar desunido com seu semelhante e, ao mesmo tempo, estar unido a Cristo. Se a pessoa tiver Cristo como companheiro de caminhada, inevitavelmente será companheira de todo caminhante”.

Esse caminho é vivido na humildade de cada um de nós. “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros”. Wiersbe afirma com profundidade que “a humildade é a graça que perdemos quando descobrimos que a possuímos”. Ele também observa que “… é extraordinário como várias vezes grandes príncipes da Igreja quase fugiram ao cargo a eles oferecido, devido ao agudo senso da própria indignidade. … Assim, pois, longe de deixar-se dominar pela ambição, os grandes homens estavam dominados por um sentimento da própria indignidade e incapacidade para desempenhar um alto cargo”. Diante dessa realidade, ele conclui: “O cristão não aponta à sua própria exibição, mas ao seu desaparecimento. Quando realiza boas obras, não o faz para que os homens lhe rendam honras, senão para que glorifiquem o Pai que está nos céus. O cristão não deseja que os olhos dos homens se centrem nele, mas em Deus. Brilha com uma luz, mas essa luz não é própria, mas a luz de Deus que brilha através dele”.

O caminho da união é vivido a partir do exemplo de abnegação de Jesus. “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus que, mesmo existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo”. Esse texto termina dizendo o seguinte, na Nova Versão Transformadora: “não considerou que ser igual a Deus fosse algo a que devesse se apegar”. Em outras palavras, Jesus abriu mão da sua posição para viver a sua missão.

Um repórter entrevistava um consultor famoso da área de recursos humanos, responsável pela colocação de centenas de funcionários em diversas empresas. Quando o repórter lhe perguntou qual era o segredo de seu sucesso, o consultor respondeu: “Se você deseja descobrir o verdadeiro caráter de um funcionário, não lhe dê responsabilidades, e sim privilégios. A maioria das pessoas consegue lidar com as responsabilidades se tiver um salário à altura, mas só os verdadeiros líderes conseguem administrar seus privilégios. Um líder usará seus privilégios para ajudar outros e construir a organização; um homem de menos caráter usará os privilégios para promover a si mesmo”.

Esvaziar-se e assumir a forma de servo nos habilitam a viver o caminho da união. “Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos…”. Esvaziar-se é uma “expressão da totalidade de auto-renúncia”, e o verbo grego kenoun dá a ideia de “tirar algo de um recipiente até que fique vazio” ou “derramar algo de tal maneira que não fique nada”. Foi exatamente isso que Jesus fez e o que ele espera de nós!

Jesus não fingiu que era um servo, nem fez o papel de servo como se fosse um ator. Ele se tornou verdadeiramente um servo! “Tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.28). “Ora, se eu, sendo Senhor e Mestre, lavei os pés de vocês [um ato de serviço do escravo inferior da casa], também vocês devem lavar os pés uns dos outros. Porque eu lhes dei o exemplo, para que, como eu fiz, vocês façam também” (Jo 13.14-15). É impossível não alcançar união quando num grupo de irmãos e irmãs reina um espírito de servo!

Por fim, vivemos o caminho da união nos inspirando na humildade de Jesus, na sua obediência e no seu sacrifício. “…E, reconhecido em figura humana, ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. É verdade que Jesus foi humilhado quando preso, julgado e crucificado, mas o texto bíblico diz que “ele se humilhou”. Jesus chegou a dizer: “…porque eu dou a minha vida para recebê-la outra vez. Ninguém tira a minha vida; pelo contrário, eu espontaneamente a dou…” (Jo 10.17-18).

Jesus foi obediente até a morte, até o fim. Hebreus 5.8-9 diz: “Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. Em outra ocasião, Jesus disse aos seus discípulos, à sua igreja: “Vocês são meus amigos se fazem o que eu lhes ordeno” (Jo 15.14). “O obedecer é melhor do que o sacrificar”, diz 1 Samuel 15.22. É isso que Jesus espera de nós: obediência!

Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz. Alguém afirmou que “muitas pessoas estão dispostas a servir aos outros desde que isso não lhes custe coisa alguma. Mas, se precisarem pagar algum preço, perdem o interesse no mesmo instante”. J. H. Jowett, um pregador cristão, diz que “o ministério que não custa coisa alguma não realiza coisa alguma”. Ser de Jesus exige sacrifício!

O caminho da união é muito mais profundo e estimulante do que podemos imaginar. Isso tornam muito oportunas as seguintes palavras: “Que graça maravilhosa! Do céu à terra, da glória à vergonha, de Senhor a servo, de vida à morte, ‘até à morte e morte de cruz’!”

Você já está vivendo o caminho da união? Jesus diz para você e para mim: “Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim [vivendo o caminho da união]” (Mateus 24.46 – adaptado).

Denis Moacir Beuter

Pastor da PIB Santo Augusto

Presidente da OPBB-Pioneira

1º vice-presidente da CBPSB.